sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Malandro é malandro, mané é mané.

Brasileiro, povo malandro, que tem a malícia da vida e estilo para viver. Quem acredita nisso? Se acredita, porque diabos acredita? Quem é considerado elite, tem a oportunidade de conhecer outras culturas e sociedades e questionaria isso. Quem não é considerado elite, que vive amargando trabalhos duros (ou nem isso), poucos recursos e estrutura, também poderia se questionar.
Eu afirmo, somos otários. Somos consumidores nada exigentes e que se contenta com quase nada, para não dizer nada.
Se existisse uma olímpiada dos otarios, com varias modalidades de como ser feito de trouxa, aí sim, teriamos dezenas de narradores aos berros: É OURO, É OURO, É OURO!
Comecemos pelos tributos:
http://www.portaltributario.com.br/tributos.htm
Eu achando que brasileiro adorava pagar duas vezes. Pagava uma aos orgão publicos e por não ter as necessidades supridas, paga-se também para as entidades privadas. Porém se eu não tiver enganado, há alguns casos, os quais pagamos três vezes:
31- Contribuições de Melhoria: asfalto, calçamento, esgoto, rede de água, rede de esgoto, etc. 42- IPVA.
E há locais que se paga pedagio (Privado).
Eu achava que pagavamos IPVA, justamente para termos acesso as vias publicas e com qualidade, conservação. Aí me deparo com esse imposto nº31, na lista. O IPVA já não seria o suficiente para a maquina pública construir e manter, asfalto, calçada, entre outras estruturas necessárias para trafegarmos com um veiculo automotivo? Mesmo com dois impostos destinado a esse serviço, ele continua sendo mal prestado. Há ruas esburacadas, poucas pistas (O que acarreta congestionamentos), pouca sinalização e ainda não temos locais decentes para se estacionar. Sem falar nos flanelinhas, sendo que alguns ainda carregam um colete dito da prefeitura e caso você não compre o talão, você pode ter seu carro rebocado.
Se eu estiver errado em questionar isso, que alguém me esclareça, por favor.
Pagamos três vezes, quando passamos por exemplo na linha amarela, no Rio de Janeiro. É isso mesmo? Pagamos os dois impostos citados e mais o pedágio, que por sinal é bem pesado ao bolso.
Fora os casos, que pagamos duas vezes em outros serviços como escola, planos de saúdes, estacionamento de shoppings, estacionamento de hospitais... Sendo que esses dois últimos até podem ser propriedades particulares, mas me arrisco a dizer, que são bens privados com caracteristicas de bens públicos. Esse estacionamento pago, seja para qualquer estabelecimento com tais caracteristicas, na minha opinião, deveria ser revisto.
Esses dias, assisti uma entrevista com o jornalista Andrew Jennings, que dedicou grande parte de sua vida, a investigar a corrupção no esporte. O mesmo dizia que o povo brasileiro, que tanto paga e nada recebe, deveria se unir e recusar a essas tarifas todas, enquanto o dinheiro não fosse aplicado de forma decente. O povo deveria empurrar seu governo contra a parede e exigir que primeiro se resolvessem os problemas primários, que o estado possui para então especular se é possível construir estádios milionários para a Copa do Mundo. A falta de estrutura nas cidades, a falta de saúde pública decente, a falta de educação pública decente, saneamento e tudo mais, tudo isso deveria ser revisto. Brilhante a proposta do jornalista inglês, que sabe do poder que o povo tem e vive em um país, que está anos luz a nossa frente.
Confesso, eu confesso que quando o tal jornalista bretão propôs isso, eu cai em gargalhada. Mal sabe ele, que o povo não tem a mínima ideia dos seus direitos e deveres.
Uma vez, eu e um amigo, que também já morou fora, vislumbramos a mesma coisa tempos atrás. Queriamos iniciar uma campanha: "Não pague o IPVA do seu carro e use esse dinheiro para tapar o buraco da sua rua."
No Brasil, jamais daria certo. Ele questionou: "O que foi? O estado ia apreender o carro de uma população inteira? De 10.000 pessoas?"
Eu falei que não, pois não teríamos nem vinte pessoas aderindo isso. E quem aderisse, seria um numero tão inexpressiva, que seria fácil ter seu carro levado, apreendido.
O problema, é que o brasileiro não confia em sua sociedade (E tem motivos para isso) e a sociedade, não confia no seu cidadão. Se minha memoria não me trai, certa vez o saudoso Paulo Francis, disse que o comunismo nunca daria certo no Brasil, porque para esse sistema ser implantado, era necessário uma luta, uma revolução armada. E isso é impossível no Brasil, pois no primeiro tiro pro alto, todo mundo correria, não sobraria um. Foi uma analise coerente do jornalista. A parte desconfia do todo e o todo desconfia da parte. Ambos com razão.
E outra, voltando a falar da suposta campanha, não duvido de "malandro" da vida, aderir a campanha e gastar o dinheiro em outra coisa. Ou seja, sonegar por sonegar. E não seria essa a proposta.
Isso mostra, como brasileiro não pensa a longo prazo. Prefere se safar de um probleminha hoje, deixando um problemão para amanha. Assim como as politicas sociais atuais, que na minha opinião são exatamente isso. Além de que, creio que essas bolsas dadas, são compras de voto com dinheiro publico, de modo parcelado, durante quatro anos. Populismo puro. E o malandro povo achando que é beneficio e que tudo ficará bem pro resto da vida.
Eu poderia muito bem continuar destrinchando a tal lista dos 85 impostos, que alimentam as mansões de alguns e congelam a desgraça de varios, mas já passei a mensagem que queria e tenho medo do COI (Comitê dos Otarios Internacional) censurar meu blog, pois nossos atletas de colarinho branco, que têm como esporte nos fazer de otários, podem perder as suas medalhas e conquistas. Afinal vários otários possuem fotos, posteres entre outras coisas, de políticos campeões em falcatruas e populismo. Assim se faz uma nação, um estado, um país campeão!
É campeão, é ouro, é ouro!
A musica abaixo cita algumas modalidades, as quais somos campeões:
Gabriel o pensador - Brazuca:

domingo, 1 de agosto de 2010

O antagonismo de "ser" humano

Não sei como organizar alguns pensamentos, que tenho aqui, não sei por onde começar, até porque sou ser humano e o ser humano é o antagonismo do universo.
As vezes fico olhando alguns indivíduos em nossa sociedade, que passam grande parte dos seus tempos interessados em tudo, menos em si mesmo. Falo isso, porque vejo pessoas idolatrando a outras, alimentando fanatismo por idiotices de forma cega, sem saber o que lhe preenche de verdade, por não saber qual é o seu vazio.
Vejo revistas de celebridades, fãs nervosos por encontrar com seu admirado ídolo. A pessoa sabe tudo sobre a vida da celebridade, mas não sabe muito da sua.
Isso não me incomoda, cada um faz o que quer da vida e depois colhe o que plantou, mas eu me pergunto, porque comigo não é assim?
Porque eu não tremo na base, quando estou diante de alguém, digamos, célebre? Porque eu não acho ninguém de outro mundo, a ponto de olha-lo de baixo?
Desde cedo, confesso que sempre achei o ser humano uma raça medíocre e nunca me impressionei com nada feito por essa estirpe de ser vivo. Há pessoas geniais, de grande alma, intelecto e muito talento, mas quando olho pra magnitude do universo e pra realidade humana, vejo que isso não é nem o grão de poeira do nosso terraço cósmico. Ao analisar as coisas por esse ponto de vista, outra pergunta que eu me faço é: Porque diabos, o ser humano se acha tanto? A melhor definição sobre meu ponto de vista é um trecho da música de Raul Seixas, "Ouro de Tolo", que diz:

"É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal…

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social…"















Eu acho inadmissível alguém falar que o corpo humano é uma maquina perfeita ou que temos livre-arbítrio para fazer o que quisermos. Saibam vocês, somos criaturas totalmente limitadas, que possuímos apenas cinco sentidos. Isso é muito pouco, como alguém pode achar que tem a percepção do universo de forma plena e que é algo nessa imensidão, somente com cinco sentidos? Você que se acha completo e maquina perfeita de um criador, lembre-se que você não possui sensor eletrico, que capta impulsos eletricos de outros seres vivos, como os tubarões tem. Saiba que você não possui uma bússola magnética como as lagostas, nem sonar como os morcegos, entre muitos outros sentidos, os quais deixariam a percepção do mundo muito mais apurada. Você é perecível, você não pode sobreviver em qualquer lugar da galáxia, você tem uma forma e não pode muda-la, logo não é de fácil adaptação. Em resumo, você é limitadíssimo.
Como você diz que possui livre-arbítrio? Você é livre para fazer o que quiser e para perceber o universo da maneira que quiser? Você não pode detectar centenas de coisas, que estão em sua volta agora mesmo. Você consegue identificar com seus cinco sentidos, somente quatro dimensões, sendo que o universo pode ter mais de dez. E você achando que podia fazer tudo, hein? Primeiro, você, nem eu temos ideia do que é tudo. Não temos ideia de quantos por centos da nossa plenitude, nós atingimos. É capaz de no futuro descobrirem, que não fazemos e nem conhecemos 0,0000000001% das atividades possíveis de se realizar mundos a fora, pois nem sabemos, quantos mundos existem.
E você achando que livre-arbítrio, era poder fazer sexo antes do casamento, hein? Você acha mesmo que o "tudo" pode ser feito nesse mundinho? Nesse grão de areia cósmico?
Se há um criador, ele tem muito para me mostrar, porque nesse papo de livre-arbítrio eu não caio. Eu só tenho acesso ao planeta terra e possuo apenas cinco sentidos, é muito pouco. Afirmo sem medo de errar que o mundo e os sentidos, os quais tenho acesso não são nem 000000000000000000000000,1% de tudo que é possível nessa existência. Somos uma raça muito primitiva dentro das possibilidades ilimitadas do cosmos.
Possibilidades ilimitadas, essa é a expressão, a qual me leva para a minha segunda indagação e aí sim, me leva admirar a raça humana. Como a raça humana é mesquinha e grandiosa ao mesmo tempo? Vejam vocês, nessas linhas anteriores mostrei tudo o que não somos e tudo o que não temos e nem conhecemos, mas uma coisa eu vos digo: Batam no peito e digam, "Eu tenho cérebro."
Amigos, se eu subestimei tantas coisas a nosso respeito, existe uma coisa que eu vou super estimar: O Cérebro!















O cérebro humano, umas das maiores preciosidades do universo, com certeza. E eu vos digo: Nós temos!
Claro, eu sei que temos muito o que desenvolver nesse instrumento precioso, não usamos nem 10%, como dito no trecho da música postada, mas o importante é saber que ele pode ser a maior ferramenta já existente no cosmos, se a gente o levar a sério.
O cérebro é um universo próprio e falo sem hipérbole, sem exageros ou super valorização. Você possui um universo próprio e não dá valor a isso.
Albert Einstein certa vez disse que o universo é finito, porém ilimitado. Muitos questionaram tal afirmação, pois diziam não conhecer nada finito, porém ilimitado. Olhem para a sua cabeça, ela é finita, vai de uma orelha a outra e da testa até a nuca, perfeito? Nesse espaço finito, encontra-se seu cérebro, que é ilimitado, certo? Você já viu alguém esgotar o cérebro a ponto de não poder mais pensar nem vislumbrar nada? Não né? Posso pensar para sempre, que eu nunca chegarei a um limite, perfeito? Ou seja, temos possibilidades ilimitadas, bem acima do nosso olho. Temos o nosso próprio universo, o qual pode influenciar todo o resto do cosmos.
Enfim amigos, escrevi essas reflexões, essas indagações pessoais e tudo mais, não para desmerecer ou exaltar o ser humano, mas sim para por o homo sapiens no seu devido lugar. Nosso dever no universo não é ser vaidoso, é pensar. Não é ficar idolatrando quem tem estatus sociais, mas sim desenvolvermos a nós mesmo, nos valorizando e expandido nossos universos particulares.
No fundo, acho a terra um lugar pequeno, com uma sociedade que não representa nada na inteligência do cosmos.
Porque se importar com o Óscar, com o Nobel ou com a Copa do Mundo? São títulos criados por seres humanos, que não entendem de nada, apesar de possuírem capacidade ilimitada. E assim viveremos nesse antagonismo, de termos tudo, mas não sermos nada.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Contra os discursos à brasileira.

Existe um comentarista de esportes na ESPN, chamado Mauro Cezar Pereira. Recentemente ele criou uma campanha que tem como objetivo, extinguir a mania dos juízes de futebol, brasileiros, de marcarem penalidades máximas por qualquer contato, mínimo que seja. O chamado penalti à brasileira.
Eu quero levantar outra campanha. O fim dos discursos a brasileira.
Discursos a brasileira é aquela mania que brasileiro tem, de achar que a vida tem que ser sofrida, que só é válida a glória, quando você conquistou algo tendo que ralar muito e não satisfeito é preciso vim de baixo e ter sido afetado por todas as mazelas que alguém pode sofrer. Se você tem condições favoráveis e alcançou seus objetivos, alguém vai te golpear com a seguinte sentença: "Mas você nunca passou fome!"
Meu pai, que é meu pai, que estudou, que teve acesso ao livro que quis, que podia pedir qualquer tipo de literatura que desejasse ou seja que teve estudo, cai nessa ladainha. Me lembro que na minha infância ele me dizia pra eu valorizar a comida, a minha moradia e tudo mais, porque a vida não é fácil e eu só ia descobrir isso no dia que eu passasse dificuldades e coisas do genero. Aí ele se vira e profere: "Porque eu já passei fome...".
Eu descobri e vejo o valor das coisas, das pessoas, das ciências e de outros fragmentos da vida, sem ter precisado viver como um mendigo ou como um sujeito perdido no deserto do Saara. E sobre o fato dele ter passado fome: MITO! Quando perguntei a vovó, ela até se ofendeu. Vejo países desenvolvidos com otimos índices de educação e zelando por uma maior igualdade, mantendo assim seus índices sociais altos e com um belo detalhe: Seus cidadãos não precisaram sofrer pra verem as nuances da vida bem de perto. Meu pai é idolo, é DEUS é o senhor de tudo, mas errou nesse quesito de tentar me mostrar as coisas por esse lado. Claro que ele fez pensando no meu bem, mas o caminho não é esse.
Dando seguimento ao que exponho outro "pensamento" curioso é que brasileiro também acha que se você trabalhou menos de 6 horas, você não ralou. Se você não teve ou não tem uma longa jornada de trabalho, você é vagabundo, não sua a camisa e tudo piora quando você não precisa acordar cedo. Há aqueles velhos chavões, que dizem que o trabalho dignifica o homem e que Deus ajuda a quem cedo madruga. Tudo mentira. Se há um Deus, ele ajuda igualmente quem acorda as 5 da manha e quem acorda as 3 da tarde. E sinceramente, trabalhar 8 ou até 12 horas por dia é dignificante? Ser escravo era dignificante?
Se isso for verdade mesmo, então os ingleses, os franceses, os australianos, são tudo uns vagabundos indignos e que não somam em nada para o crescimento de suas nações.
Outra coisa detestável, é quando você encontra pessoas que acham normal você ter que misturar sua vida pessoal com a acadêmica e ainda entrelaçar tudo com a vida profissional. Eu sou conhecido na minha sala como o cara que assiste a todas as aulas e não faz trabalho algum. Mentira, eu faço. Porém só faço quando o trabalho é passado na sala, pois aquela é a hora que eu dedico a vida academica. Como vou fazer algo, que foi passado no horário da minha vida pessoal? Tenho família, tenho amigos, tenho que exercitar e estreitar os laços em todos os leques da minha vida pessoal. Se eu destinar mais esse tempo a vida acadêmica, vai sobrar o que pra vida pessoal? Vocês podem estar pensando: "Mas todos nos temos vida pessoal também e aí?" Resposta: Que bom, então saibam dividir suas vidas, pois todos os três itens acima (Pessoal, Acadêmico e Profissional) são importantes e precisam estar bem alinhados. Se vocês deixam trabalhos em demasia estragarem suas relações, azar o de vocês. (Lição dos franceses sobre a arte de viver. Por Paulo Nogueira.)
Fora que trabalhos não são as coisas mais eficazes para o meu meio de cognição. Eu tenho outras maneiras mais eficazes de assimilar um conteudo e as vezes os trabalhos até atrapalham. Já deixei de lado varias vezes, livros que eu estava lendo e que estavam somando muito ao meu intelecto, para ler uma obra que um professor me impos, por querer um seminario. Mas essa não é a questão e isso é pessoal, sei que há pessoas que aprendem bastante com esse método. O que não é o meu caso.
Sobre a má divisão das atividades, é por isso que hoje vemos pessoas estudando, trabalhando sem o menor foco. Tenho amigos que vão pra aula mais para ver mulheres e terem contato com elas, que para prestar atenção no que o professor argentino de sotaque complicado tem a ensinar. Dezenas passam horas e horas fora de sala conversando e fazendo amigos. Hora errada.
Outra coisa que espero dos leitores é a acusação de estar fazendo um discurso elitista. Não amigos, apenas quero que vocês saibam que há meios mais eficazes de produzir, de dividir o tempo e de ter uma vida plena. Eu pergunto a você: Você prefere ter como parâmetro e se espelhar nas sociedades maduras, com grandes indices sociais e com melhores oportunidades ou vocês preferem serem esfolados, vilipendiados e massacrados, como os cidadãos chineses, como o trabalhador da Somália, como o pai de família de Cuba etc. Nada contra essas culturas, mas somos cristãos ocidentais e temos o capitalismo como meio de produção e distribuição de recursos e nesses parâmetros devemos nos espelhar em sociedades similares, que possuam métodos mais eficazes e índices mais concretos.
E aí, qual estilo de vida você prefere?
A sociedade, somos nós quem fazemos. Vejam as primeiras linhas do livro Axiomas de Zurique (Clique para baixar), do escritor Max Gunther:
"Vejam o quebra-cabeça que é a Suíça. Essa minha terra ancestral é um lugarejo pedrento, com uma área menor que a do estado do Rio de Janeiro. Não tem um centímetro de litoral. É uma das terras mais pobres em minerais que se conhece. Não tem uma gota de petróleo que possa chamar de sua, e mal consegue um saco de carvão.
Quanto à agricultura, o clima e a topografia são inóspitos a quase tudo.

Há trezentos anos a Suíça fica fora das guerras européias, principalmente porque, nesse tempo todo, não apareceu um invasor que realmente a quisesse.
Com tudo isso, os suíços estão entre as pessoas mais ricas do mundo. Em renda per capita, comparam-se aos americanos, alemães e japoneses. Sua moeda é das mais fortes do mundo.
Como conseguem isto?"
Mentalidade amigos. Essa é a resposta. Um país vale pela mentalidade do seu povo e não apenas por suas riquezas naturais. O livro inteiro fala sobre investimentos em ações e como proceder diante das variações do mercado, porém muito da mentalidade que se aplica nessa area, serve também para a vida.
Ser penta campeão nunca encheu barriga ou pagou conta de ninguém. Já construimos o maior futebol do mundo, porque possuímos as maiores riquezas futebolisticas e criamos uma mentalidade vencedora, exorcisando o complexo de vira-lata que nos assolava.
Com as riquezas culturais e naturais que possuimos, chegou a hora de construirmos uma sociedade melhor, exterminando o complexo de vira-lata, agora nesse campo social.
Enfim, concluo o porque dos nosso jogadores e dos nossos cidadãos desejarem tanto uma oportunidade de jogarem ou trabalharem na Europa e em outros países mais desenvolvidos: Lá não existem os penaltis à brasileira e muito menos o discurso à brasileira.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O Fluminense não tem ídolos. Tem Deuses!

O Flamengo de Zico, o Vasco de Dinamite, o Botafogo de Garrincha e até que enfim o Santos de Pelé. Fora outros clubes que tem seus nomes falados depois de meros mortais. Meus caros, isso não acontece com o Fluminense. Não há Fluminense de ninguém e nunca haverá. É Fluminense e basta, como diria Sidney Garambone!
Depois de ver o resto, os outros, os apenas grandes vangloriando fulano, galinho, mané, rei, o divino ou seja quem for, eu quando mais jovem, fui atrás do nome que tinha que vir atrelado antes do Fluminense. Não existe! Falem e pensem o que quiser, mas a riqueza e o gigantismo estão aí. O Fluminense não possui ídolos e não possui nomes maiores que a instituição. O Fluminense possui divindades, daquelas dignas de estarem na mitologia grega, que realizam até mais que doze trabalhos. Que possuem a força atlética maior que exércitos de centenas de homens juntos.
Começo me referindo a João Coelho Netto, que na mitologia tricolor é mais conhecido como Preguinho. O Deus do esporte. Nome humilde, no diminutivo para o gigante e maior vencedor do esporte brasileiro.
Filho de Coelho Netto, sendo esse um maranhense de Caxias. Escritor, poeta, politico e tudo mais que um nobre tricolor pode ser, que foi também um dos fundadores da academia de letras brasileira, a qual ocupou a segunda cadeira. O homem também ofereceu seu genes ao maior atleta brasileiro do século XX. Recentemente um dos programas esportivos mais populares da nação resolveu recordar e dar um espaço de mais de 10 minutos, para mostrar os feitos do mito tricolor.
Preguinho conquistou mais de 300 medalhas, sendo a esmagadora maioria de ouro e mais de 50 títulos para o Fluminense em nada mais que dez modalidades desportivas. Eu posso chamar um ser desses de ídolo? Realmente, não tem como. Não temos ídolos. Ídolos ganham seis, oito, dez, doze, quinze campeonatos e olhe lá... Isso em uma modalidade. Sem querer desrespeitar os outros, os quais tem seus grandes nomes no esporte, por serem grandes clubes, mas a verdade é que cada um tem atletas do tamanho que merecem ter. Grandes clubes, idolatram grandes atletas. Clubes gigantes ou melhor, clube gigante é representando por gigantes. Deuses, dão as glórias, riquezas e os metais sem pedirem nada em troca. Preguinho nunca aceitou salários do Fluminense. Nada desse club, tudo por esse club. No populismo, essa frase faz parte do rival, mas na pratica... Enfim, vou deixar vocês com o video, da longa e merecida reportagem sobre esse verdadeiro Deus, que abençoou a seleção brasileira com a sua estrela, pois abriu a porteira em copas do mundo:
(Reportagem do Esporte Espetacular, sobre Preguinho)


O segundo nome divino aqui citado, é um goleiro. Não, ele não batia falta, pois não era chegado nesse modismo. Goleiro tem que impedir, tem que fechar e destruir a intenção do adversario. E esse titan da baliza parou grandes nomes, deuses e todo tipo de colosso que podia existir na época, se tornando a maior lenda que o Brasil já teve de baixo das traves. Carlos José Castilho.
São Marcos é santo, porque homens comuns precisam ser canonizados. Deuses não precisam de tal idolatria. Idolatria essa, que Rogerio Ceni tem porque supostamente ganhou tudo pelo seu club. Ele parou Gerrard e o Liverpool, ele foi tri campeão brasileiro, jogou centenas de vezes por seu club. "Outros tem goleiro, mas nós temos Rogerio Ceni", gosta de dizer o são paulino.
Daqui da terra, essa frase causa efeito e pode despertar inveja aos outros, mas do alto do monte Olimpo, essa sentença é comica.
Vamos aos fatos mitológicos:
Campeonato Mundial de 1952 e então o tricolor se via diante daquele fantasma enorme, aquele bicho papão, aquela quimera que era o Peñarol: Maspoli, Schiaffino, Ghiggia, Obdulio Varela e cia, tinham ganho a Copa pro Uruguai dois anos antes, todos com papeis fundamentais. Mas o Fluminense em seu cinquentenario, carimbou três gols no maior clube do mundo da época e o Deus da baliza não sofreu nenhum. Castilho parou os "queridos" responsáveis pelo "maracanazo" e garantiu a arrancada tricolor ao topo do mundo.
A saga continua, o tempo passou e o futebol desafiou o Deus das traves, com mais... Com muito mais. Dessa vez o rei e um tal de mané, já tinham a garantia de todos, que decidiriam quem venceria o Rio-São Paulo de 1960. Torneio que era disparado o mais importante da época. Todos tinham craques, grandes jogadores, mas do alto do Olimpo o Deus das balizas resolveu interceder. Seja rei ou mané, aqui não passa nada. Assim foi feito como em 1957, no mesmo torneio. Fluminense campeão invicto! Não tinha Santos de Pelé, nem Botafogo de mané! Copas do Mundo? Ganhou duas! Foi reserva em ambas? Quase isso... Apenas do alto da sua magnitude, escolheu um mortal para agraciar.
Vejam esse trecho vindo de um escritor chamado Paulo Cezar Filho, sobre tal historia:
"Porém, quando perguntado sobre o segredo de se manter em boa forma, o titular Gilmar dizia: 'Castilho é meu reserva. Não posso respirar!'. Acredite, Castilho: por trás de cada intervenção de Gilmar, havia as suas mãos. Você é tão responsável pelo bicampeonato quanto ele."
Eu podia encerrar aqui, mas a divindade não provém dessas glórias. Parar o Pelé, o Garrincha ou o time base campeão do mundo e melhor das americas foi o menor dos feitos. Copa do Mundo? Quando se é um Deus, ter o mundo é consequencia. Castilho teve essa honra jogando com a camisa tricolor e com a amarelinha! Há historias que dizem que uns se crucificam para salvar a todos, outros fazem jejum e por aí vai, mas:
Certa vez, Castilho se lesionou pela quinta vez, no dedo mindinho da mão esquerda. Isso o faria perder algumas partidas e uma possível final. Sua lealdade e amor ao club tricolor, o fez tomar a decisão mais heróica e até mesmo drástica: Ele mandou amputar o dedo lesionado. Sim, cortar o dedo fora!
O que é um dedo, ou qualquer parte do corpo, pra quem tem o espírito de um Deus e joga numa instituição divina? Há desígnios a cumprir amigos e os Deuses sabem a hora de fazer a coisa acontecer. O dedo se foi e as glorias vieram!


Depois que eu falei de Pelé, Garrincha e de outros campeões do mundo barrados pela leiteria divina, eu não preciso voltar a falar daqueles mortais, citados no começo né? Pra que? Vou ser obrigado a me perguntar: Liverpool? Gerrard? Quem é Gerrard, é de comer?

("Suar a camisa, derramar lágrimas e dar o sangue pelo Fluminense, muitos fizeram. Sacrificar um pedaço do próprio corpo por amor ao tricolor, somente um: CASTILHO. ")

Ao lerem essa frase, você torcedor de qualquer club, me informe se algum mortal jogador do seu club já chegou, ao menos perto disso?
Não né?
Conclusão: O Fluminense não tem ídolos, tem DEUSES. Laranjeiras poderia ser chamada de "O Monte Olimpo" do esporte!

terça-feira, 30 de março de 2010

Com a palavra, Armando Nogueira

Estou aqui imaginando meus caros, tentem captar:
João Saldanha, Nelson Rodrigues e quem mais estiver. Todos na tranquilidade da eternidade com seus copos cheios, em torno de uma mesa - provavelmente barulhenta - naquela velha algazarra, que se tornam as boêmias discussões futebolisticas. Aí, não mais que de repente se ouve aquele estridente barulho peculiar dos ultraleves e então toda aquela baderna silencia-se.
Uns perguntam: "Será?" - Já outros: "Não é possivel."
Sim, ele adentra no ambiente. Se ouve a rouca voz de Nelson: "Até que enfim... O que você fez para ficar lá, mais que a gente? Amigos, o homem gostou mesmo de viver o suficiente para estar entre aqueles debeis mentais." - João: "Mas você hein? Deixa ele chegar..."
É meus caros, hoje teremos muita conversa de botequim, muita coisa pra ser contada e posta em dia, lá na morada eterna, dos eternos.

Pessoalmente, me recordo do Armando Nogueira somente no Sportv, quando ele fazia aparições em programas e as vezes entrevistando grandes nomes do esporte, isso por volta de 1998 - 2001.
Fui começar a ler o Armando, mais recentemente. A sensação que suas palavras me passaram foram incriveis. Eu lia e sabia estar diante de uma pedra preciosa.
Eu pensava:
"Estou diante do elo perdido. Ele tem a paixão do Nelson e do João, com as mesmas nuances literarias riquissimas. Com um porém: A visão limpa, clara e cristalina. Coração aberto e mente pura. Como ele conseguiu tamanha neutralidade?"
Eu digo uma coisa para o criador - caso o mesmo leia - Você achou alguem perfeito para te acessorar. Ele está aí agora, aproveite!

Hoje o espaço não será meu - como prometido antes - será de alguem anos luz a frente.

Brindo a todos, com três crônicas deste grande escritor - que também creio ter sido um grande homem - o qual deixará saudades a todos os jornalistas, estudantes e amantes de um bom texto:



Viver ou viver!

Não, o Fluminense não pode morrer.
Pelo belo gol de Ademir, no supercampeonato de 46; pelos milagres que obrava Carlos Castilho, o goleiro prodigioso; pela prosa de Coelho Neto; pela paixão homérica de Nelson Rodrigues; pelos vitrais da sede imperial nas Laranjeiras; pela Taça Olímpica; pela gota de lágrima que pressenti, ontem, no rosto vincado de um amigo; pela dinastia Gallotti; pelo sorriso fidalgo de Haroldo Barbosa; pelo humor de Sérgio Porto, o Stanislau Ponte Preta; pelas irreverências de Ronaldo Bôscoli; pelo marinheiro sueco, o Hans, que canta o Fluminense em tantos idiomas; pelo clã dos Carneiro de Mendonça; pelos passes indeléveis de Romeu Pelliciari; pela consagração de Telê Santana, nos campos tricolores; pelo amor de Hugo Carvana; pelos poemas, todos!, de Chico Buarque; pelo time de botões de Carlos Heitor Cony; pelo Braguinha, que leva o clube nas próprias entranhas pelo mundo afora; pelas braçadas olímpicas de João Havelange na piscina tricolor; pela bola iluminada de Batatais, Santamaria, de Romeu, de Tim, de Pedro Amorim, Orlando Pingo de Ouro, de Carreiro e Afonsinho; pelo Gravatinha; pelas nuvens de pó-de-arroz que perfumam as tardes do Maracanã; pelo bairro das Laranjeiras, cujas ruas, todas elas!, desembocam na lendária Álvaro Chaves; pelo estadinho, imortalizado, ao nascer, com o gol de Friendereich dando ao Brasil o Sul-americano de 19; pelo lirismo de Oduvaldo Cozzi que narrava, como ninguém, um gol do seu Fluminense; por Luiz Murgel, que amou o clube com todas as letras; por Benício Ferreira Filho, sepultado com a bandeira do clube no peito; por Francisco Horta que entoou, pela primeira vez, o grito de guerra "Vencer ou Vencer!"
Por Gerson e Rivelino que, até hoje, querem tão bem ao Fluminense; pelo Flamengo que nasceu de uma costela tricolor; pelo Botafogo, velho co-irmão de rancores e de amores remotos; pelo mais enxuto verso do futebol: Fla-Flu, doce aliteração carioca; pela bandeira tricolor: o branco, símbolo da alma pura, o vermelho, a cor dos nobres e o verde, a luz da criação do mundo!
E porque o Fluminense não pode morrer, sua divisa, agora, é Viver ou Viver!

(Armando Nogueira quando o Flu estreou na segunda divisao)

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A voz que lateja

O Fluminense cai pra Terceira Divisão. Dito assim, em breve oração, soa como um fiapo de conversa. Papo de segunda-feira chuvosa. Pra chatear tricolor, os irônicos dizem que, felizmente, não existe a Quarta Divisão.
Mal se dão conta de que o desterro de um grande clube não é um martírio solitário. Por tabela, atinge todo mundo. O Flamengo nunca seria o mesmo se não tivesse a fustigá-lo o tenaz fervor do Fluminense. Os dois criaram, juntos, um dos maiores mitos do futebol brasileiro que é o Fla-Flu. Nelson Rodrigues dizia que há um parentesco óbvio entre o Fla e o Flu. Seriam os irmãos Karamazov do futebol. Amor e ódio.
Eu, por mim, vivi uma juventude atormentada pelo "frisson" dos jogos entre Botafogo e Fluminense. Era o chamado "clássico vovô". A manchete dos jornais exaltava cada batalha entre os dois mais antigos rivais do futebol carioca. O Fluminense era um pesadelo na vida dos outros times. Tinha mais títulos. Tinha mais nobreza. Os outros tinham escudo. O Fluminense tinha brasão.
Por favor, não queiram ver no flagelo do Fluminense apenas um time de futebol agonizando às portas do inferno. Estamos vendo consumir-se nas chamas de um longo martírio muito mais que uma simples equipe. São centenas de troféus. São vitrais de três cores mágicas a filtrar a luz de tantas glórias. O Fluminense é um hino. É um sonho de menino.
Mário Lago diz que há muito tempo o Fluminense saiu de suas cogitações existenciais. Do alto de seus oitenta anos, tem todo o direito de ignorar o presente do clube. O tempo passado enche de glórias seu bravo coração tricolor. O Carlinhos é que não tem. O Carlinhos, um garoto de 14 anos, ainda tem muito que palpitar, coração na mão, por seu clube tantas vezes campeão. O Fluminense precisa de seu amor. Mesmo que, agora, Carlinhos não tenha coragem de aparecer no colégio vestido com a camisa do Fluminense.
Bem que ele podia mudar de colégio. Chegaria lá, cara nova, metido no uniforme do Vasco da Gama, que é o time da moda no Rio. Carlinhos seria até festejado.
Mário Filho dizia que é mais fácil mudar de mulher que mudar de clube.
Pois é esse o caso do Carlinhos. Ele não tem duas caras. Nasceu Fluminense e Fluminense há de morrer.
Pois é pensando no Carlinhos que escrevo sobre o drama do clube tricolor.
Se o Fluminense acabasse, de vez, o mundo ficaria sem graça pro Carlinhos.
Ele não pode, nem quer virar Flamengo, nem Botafogo, nem Vasco. O sentimento clubístico é mais forte que o sentimento patriótico. A criança descobre o clube do coração antes de descobrir a própria pátria. Carlinhos aprendeu a cantar o hino do Fluminense muito antes de aprender a cantar o Hino Nacional. Antes de ouvir falar em Brasil, Carlinhos já ouvia o pai repetir, dia e noite, debruçado no berço: Flu-mi-nen-se! Essa é a voz que lateja nas entranhas de Carlinhos.
O Fluminense é hoje uma paixão golpeada no coração de Carlinhos.

(Armando Nogueira, após uma nova queda do Fluminense)


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Armando Nogueira
Quarta-feira, 24 de Julho de 2002

"O Fluminense retira Telê da vida reclusa e presta-lhe uma bela homenagem, no rol de celebrações do centenário. Na era do profissionalismo, poucos encarnam tão bem a glória do clube como Telê Santana. Que o digam os que o viram, um fiapo de gente, a ensopar a camisa de talento e suor, no começo dos anos cinqüenta. Eu vi, cansei de ver Telê criar, ao lado de Didi, momentos que, depois, Nelson Rodrigues recriava na sua prosa poética de consagração tricolor. Aliás, foi outro ilustre tricolor, Mário Filho, quem primeiro chamou Telê de "Fio de Esperança". Nada mais feliz. Telê era em cada jogo a renovada promessa de um novo gol, de um novo triunfo, de um novo título. Como o de campeão carioca de 1951. Solidário, Telê subia e descia o lado direito do campo, defendendo e atacando, guerreiro incansável. Era, em 51, a prefiguração do que viria a ser o também infatigável Zagallo, no mundial de 58.
A imortalidade do Fluminense está nos seus nobres troféus, nos seus castos vitrais, nas nuvens de pó-de-arroz perfumadas, na bandeira de três cores, no hino (o mais bonito de quantos Lamartine Babo compôs pros clubes do Rio); na aristocracia de Marcos Carneiro de Mendonça; na saudade de Romeu e Carreiro; na recordação de Orlando Pingo de Ouro e Pedro Amorim. Mais que tudo, o Fluminense do meu tempo está nos gols incomparáveis de Ademir Menezes, um portento de artilheiro que não dava por menos: no supercampeonato de 46, cada gol dele tinha ressonâncias de verdadeira ópera. Ao lado de Ademir, na mesma dimensão histórica, figura o goleiro Castilho. Sem ser santo, o moço fazia milagres em baixo das traves. Enfim, são tantas e tamanhas as fulgurações pessoais na vida do Fluminense que seria impossível enumerá-las sem cometer imperdoáveis omissões.
O Fluminense de minha memória afetiva é, sobretudo, Nelson Rodrigues, autor dos cânticos mais poéticos, mais ardentes que alguém já dedicou a um clube de futebol. Em Nelson, com quem briguei e desbriguei algumas vezes, aprendi que o Fluminense veio ao mundo com a vocação da eternidade.
Preciosa lição que trago comigo, pela vida afora, no melhor do meu coração".

terça-feira, 16 de março de 2010

O primeiro carro a gente nunca esquece...

Eu confesso, eu nunca fui muito apegado a nada, principalmente a coisas materiais. Eu sempre fui descolado, sempre soube ter e não ter as coisas e as pessoas. Sempre achei idiotice aqueles que tratavam objetos, com algum sentimentalismo ou algo do genero. Normalmente, vejo muitas pessoas fazerem isso com seus carros, como se eles tivessem vida. Amigos, os carros não tem vida, mas agem como se tivessem. Eles parecem sim ter. Posso até dizer, que um carro pode ser o melhor amigo do homem.
Esse sentimento diferente em relação aos carros (principalmente com o meu), apareceu depois que eu soube que meu pai vai me agraciar com um novo veiculo. Nada contra, obvio que um dia eu teria que trocar de carro, pois nada é para sempre, ainda mais nessas ruas esburacadas de nossas cidades, no meu caso São Luis.
Acontece meus caros, que dessa ultima vez, a qual estava eu dentro do meu carrinho, eu comecei a pensar e a falar sozinho, coisas do tipo: "É meu caro, foi um prazer e obrigado por tudo." Como se o carro fosse uma pessoa que tivesse me prestado um serviço e que estava se despedindo de mim.
Ah, com certeza posso dizer que não há nada mais cumplice na vida de um homem que um carro. Ele viu tudo, ele sabe de todas, ele que me levou para conhecer os lugares, que eu nem imaginava que existiam, ele esteve comigo nas horas boas e nas ruins, fora que pessoalmente, o meu VW Gol, de cor preta e do ano de 2005/2006, nunca me deixou na mão... Quero dizer, no prego! Meu pai foi quem me presenteou, com ele. Nunca me esqueci do velho homem chegando com uma lista de carros, que seriam leiloados e então me pediu para escolher um entre mais de 100 opções. Eu sinceramente, não escolhi bulhufas, pois não entendia e não entendo nada de carros. Eu não me importava, falei pra ele trazer qualquer um, pois eu estava aceitando até jegue de motor. Então ele me vem com esse Golzinho, minto...Esse Golzão, sem ar, sem direção e somente com duas portas. Desde então muitas pessoas e situações se passaram na minha vida e digo, que quase 80% são devido a esse carro.

Sério, passa um flash na sua cabeça. Você começa a lembrar de historias e depois percebe que a historia do carro se confunde com a sua. Ele, o carro, viu o começo, o meio e o fim do seu namoro. Ele viu todas as moçoilas, as quais você deu carona e depois fez rolar, ou não. Ele guiou e foi o porto seguro de amigos seus, que vezes estavam bebados, vezes estavam apenas precisando de um ombro amigo ou até mesmo somente de uma carona.
Nas noites boas e nas ruins, nas noites em que você voltou acompanhado ou nas noites solitarias da praia do Araçagy. Ele sabe e tem a noção exata de quantas passaram pelos seus bancos. Ele também sabe de quantas poderiam passar, mas não passaram, pois não deram abertura ao seu dono, o fazendo voltar sozinho pra casa.
Ele era um espião na casa do amor, pois ele sabia os segredos e os desejos. Ele era a casa do amor, pra falar a verdade. Quantos bairros ele visitou comigo, para deixar amigos e amigas.
Meu carro, até minhas notas academicas ele sabe, até porque foi ele o reduto de provas e provas, que em seu banco traseiro, ficaram esquecidas. Ele sabia do meu gosto musical e quando um ritmo ou uma banda se adequava ao momento. Certos momentos era a vez do Jazz, outras do samba de raíz e muitas outras do bom e velho Rock n Roll! O clima desejado é que ditava.
Ele esteve comigo comemorando vitorias e chorando derrotas do Fluminense. Quem não se lembra dele no meio da carreata, com sua buzina alegre e barulhenta como a de Abelardo Barbosa, depois que o tricolor foi campeão da Copa do Brasil de 2007? Assim como ele também já me guiou em noites melancolicas, onde o céu estava cinza, me dando teto, com a fidelidade canina, que os carros também possuem. Dizem que o cão é o espelho do dono, com o seu carro não é diferente, pois até mesmo no curta metragem, que eu atuei, ele também fez uma ponta, como o carro do protagonista. Fora as discussões com flanelinhas metidos a sabichões! As saídas do shopping, sem pagar!
Eu admito, eu não cuidei dele do jeito que ele cuidou de mim.
Eu entendo agora porque alguns se apegam a seus carangos. Eles são um livro mais que aberto, eles são historiadores, eles guardam o momento. Nas loucuras, nas alegrias ou até mesmo nos pudores e nas tristezas, eles estão lá para nos levar para casa, sabendo que amanha é um novo dia e que tudo há de ser melhor. E no fim, a maquina sempre estará pronta, para me acompanhar e saber das minucias da minha vida.É, talvez no futuro eu até tenha carros melhores e que atraiam mais mulheres e chame mais atenção de colecionadores ou quem for que goste de automotivos, mas o fato é que no quesito historias esse meu primeiro carro, o Gol preto, não fica atrás de nenhum outro. É amigos, eu aprendi, a me acostumar, a sentir saudade das pessoas, já que todos os amigos que tenho em vida, dificilmente poderei uni-los em um só lugar, por eles viverem em lugares diferentes e longe uns dos outros. Mas to vendo agora que um carro pode te deixar mal, por simplesmente ter estado com você em momentos, maravilhosos ou até mesmo momentos dificeis. Claro, no fundo eu sei que é só uma caixa de metal, aparelhada com rodas e um motor, mas isso mostra, que as vezes um mero objeto inanimado, pode te dar muito alento. E pensar que há seres humanos, que não nos dão tanta segurança e alento, como um mero carro. Ora chamado de "ameixa" por ser muito amassado, ora chamado de "Motel Hell", por causa de brincadeiras. Na verdade o que menos importa é o nome. O mais importante é lembrar que você ganhou muita kilometragem na vida, por guiar aqueles volantes, rumo sabe-se lá para onde!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Penta ou Hexa? Escolha você mesmo.

"Ser Fluminense é ter os olhos limpos, sem despeito, e claro como a esperança." Resolvi postar o meu ponto de vista, sobre essa confusão que assombra o futebol brasileiro, desde 1987. O Flamengo é penta ou hexa, após vencer o titulo de 2009?
Esse trecho do poema de Artur da Távola, reflete a minha proposta e os meus argumentos diante dessa polemica.
Amigos, dizem que há alguns modos de você avaliar o esporte, seja ele o futebol ou não. Você pode se restringir meramente a dados oficiais, que um pequeno grupo legitima (FIFA, CBF, CONMEBOL) ou você pode avaliar tudo com o bom senso, olhando para os lírios e não para as leis.
Vamos por partes.
Eu vou começar falando do grupo que defendo, o grupo do bom senso.
Eu gosto de avaliar um titulo, baseado no contexto da época e na qualidade dos clubes, que no campeonato estão. Não basta apenas ter nome ou mídia.
Na minha opnião, o Flamengo é hexa campeão brasileiro, porque eu emancipei a Copa União de 1987, a nivel de campeonato brasileiro (Nacional). Os melhores clubes da nação lá estavam e jogavam. A população acompanhou toda a saga rubro-negra rumo ao topo e foi esse campeonato, que teve o nivel que condizia com as tradições do futebol brasileiro. Em resumo, essa foi a competição mais importante da nação, no ano de 1987 e logo eu com o meu bom senso, emancipo a Copa União, a nivel de Campeonato Brasileiro.





















Mas e o Sport Club do Recife? Sim, esse também foi campeão de 1987. Também pode gozar do titulo brasileiro de 1987, pois venceu no regulamento. Como disse em um texto anterior aqui no blog, regulamento também faz parte do futebol. Regulamento também decide campeonatos. Regulamento dá ou tira a vitoria de um time, mesmo sem esse ter perdido no campo. A taça está merecidamente na Ilha do Retiro.
Por mais estranho e questionavel, que esse regulamento de 1987 fosse, foi assim que ficou decidido. Pode ter sido uma decisão arbitraria é verdade, de um dirigente que é velho conhecido de todos, mas serviu de lição aos outros cartolas de como é importante você ter cuidado com as pessoas que te representam. Ainda mais quando apenas uma pessoa representou a todos.
Voltando ao assunto, de existirem dois campeões em 1987, é assim que vejo o campeonato daquele ano. Não é uma questão de querer agradar a gregos e troianos ou ficar em cima do muro, mas vejam que a historia do futebol brasileiro permite esse tipo de raciocinio. Temos varios torneios Rio-São Paulo, que são divididos, na decada de 60, com mais de um campeão. Inclusive existe um que foi dividido entre 4 campeões. Não que eu ache isso legal, mas o regulamento deu brechas para isso e foi isso que aconteceu. Temos essa mancha no futebol nacional e teremos essa polemica para sempre. Mas para mim, o pensamento até agora é esse.
Outra coisa que quero frizar é que se os flamenguistas ou qualquer outro torcedor afirma que o clube da gávea é hexa, é poque eles ignoram o que é oficial e adotam o bom senso. E é aí que entra outro ponto: Se o Fla é hexa, o Palmeiras é octa, o Santos idem, o Fluminense Bi campeão e outros clubes podem emancipar seus titulos nacionais conquistados antes de 1971 para o nivel de brasileiro, pois eram os campeonatos mais importantes da nação, na época. Assim como emancipamos a Copa União, por ser a competição mais importante de 1987, no calendario do futebol brasileiro.


Caso você prefira não adentrar a historia do futebol e deixar os criterios para os poucos homens da Fifa, que pouco se importam com o futebol brasileiro e com a historia dos clubes em geral, então convenhamos que o Flamengo agora é penta, que só dois clubes do Brasil ganharam o mundial interclubes (São Paulo e Inter, cada um com um titulo) e que a historia tem que ser apagada e recomeçada a cada decada.
E então, o que vocês escolhem, filosofos e amantes do esporte bretão? Querem preservar a historia e considerarem o grande titulo do Bahia, contra o Santos de Pelé e torna-lo um grande titulo nacional ou preferem deixar que as entidades, compostas de homens entendidos e sabichões reconheçam apenas o que lhes convir?
Percebam que esse pessoal só tem olhos para o futebol europeu.
Pergunta: Porque o melhor jogador do mundo, tem que sair sempre de um clube europeu? Tudo bem, todos sabemos que os melhores jogadores jogam lá. Mas tiveram casos na historia, que jogadores aqui da America do Sul, jogaram absurdamente bem em uma temporada e nem ao menos foram lembrados. Cito agora dois exemplos, de jogadores que deveriam ser lembrados e poderiam ter grandes chances de ganhar o trofeu de melhor jogador do mundo , mas que nem ao menos foram relacionados, porque jogavam aqui na America do Sul.
São eles: Edmundo em 1997 e Carlos Tevez em 2003. Ambos só não fizeram chover nessas temporadas, mas ganharam praticamente tudo o que disputaram.
Tudo bem que o Edmundo, naquela época, teria que competir com o Ronaldo Fenomeno e pra mim o Edmundo perderia, mas ele deveria ser ao menos lembrado. Já em 2003, o Tevez pelo Boca, jogou muito mais que o portugues Figo, na epoca, jogador do Real. O Tevez ganhou tudo mesmo que pôde pelo time de La Bombonera, enquanto o Figo, apenas tinha a mídia de ser jogador do Real.
Fazendo justiça com uma entidade: A Conmebol foi perfeita ao reconhecer o titulo do Vasco de 1948, mesmo não sendo algo organizado por ela ou uma federação, mas sim por um clube, o Colo-Colo do Chile. Vasco campeão da America de 1948. Foi um grande titulo.
Voltando ao assunto, a mensagem é que devemos valorizar o que é nosso e que a memoria de cada club, quem tem que preservar são os torcedores e não as entidades.
Flamengo hexa e campeão do mundo de 1981. Sport Recife campeão de 1987. Palmeiras octa e campeão do mundo 1951 etc.
Por fim, esteja livre para escolher o criterio, que você achar mais justo, porém aplique esse criterio igualmente para todos.

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Alguem que expoe pensamentos, que as vezes precisam ser arquivados. Blog dedicado a isso.