terça-feira, 6 de abril de 2010

O Fluminense não tem ídolos. Tem Deuses!

O Flamengo de Zico, o Vasco de Dinamite, o Botafogo de Garrincha e até que enfim o Santos de Pelé. Fora outros clubes que tem seus nomes falados depois de meros mortais. Meus caros, isso não acontece com o Fluminense. Não há Fluminense de ninguém e nunca haverá. É Fluminense e basta, como diria Sidney Garambone!
Depois de ver o resto, os outros, os apenas grandes vangloriando fulano, galinho, mané, rei, o divino ou seja quem for, eu quando mais jovem, fui atrás do nome que tinha que vir atrelado antes do Fluminense. Não existe! Falem e pensem o que quiser, mas a riqueza e o gigantismo estão aí. O Fluminense não possui ídolos e não possui nomes maiores que a instituição. O Fluminense possui divindades, daquelas dignas de estarem na mitologia grega, que realizam até mais que doze trabalhos. Que possuem a força atlética maior que exércitos de centenas de homens juntos.
Começo me referindo a João Coelho Netto, que na mitologia tricolor é mais conhecido como Preguinho. O Deus do esporte. Nome humilde, no diminutivo para o gigante e maior vencedor do esporte brasileiro.
Filho de Coelho Netto, sendo esse um maranhense de Caxias. Escritor, poeta, politico e tudo mais que um nobre tricolor pode ser, que foi também um dos fundadores da academia de letras brasileira, a qual ocupou a segunda cadeira. O homem também ofereceu seu genes ao maior atleta brasileiro do século XX. Recentemente um dos programas esportivos mais populares da nação resolveu recordar e dar um espaço de mais de 10 minutos, para mostrar os feitos do mito tricolor.
Preguinho conquistou mais de 300 medalhas, sendo a esmagadora maioria de ouro e mais de 50 títulos para o Fluminense em nada mais que dez modalidades desportivas. Eu posso chamar um ser desses de ídolo? Realmente, não tem como. Não temos ídolos. Ídolos ganham seis, oito, dez, doze, quinze campeonatos e olhe lá... Isso em uma modalidade. Sem querer desrespeitar os outros, os quais tem seus grandes nomes no esporte, por serem grandes clubes, mas a verdade é que cada um tem atletas do tamanho que merecem ter. Grandes clubes, idolatram grandes atletas. Clubes gigantes ou melhor, clube gigante é representando por gigantes. Deuses, dão as glórias, riquezas e os metais sem pedirem nada em troca. Preguinho nunca aceitou salários do Fluminense. Nada desse club, tudo por esse club. No populismo, essa frase faz parte do rival, mas na pratica... Enfim, vou deixar vocês com o video, da longa e merecida reportagem sobre esse verdadeiro Deus, que abençoou a seleção brasileira com a sua estrela, pois abriu a porteira em copas do mundo:
(Reportagem do Esporte Espetacular, sobre Preguinho)


O segundo nome divino aqui citado, é um goleiro. Não, ele não batia falta, pois não era chegado nesse modismo. Goleiro tem que impedir, tem que fechar e destruir a intenção do adversario. E esse titan da baliza parou grandes nomes, deuses e todo tipo de colosso que podia existir na época, se tornando a maior lenda que o Brasil já teve de baixo das traves. Carlos José Castilho.
São Marcos é santo, porque homens comuns precisam ser canonizados. Deuses não precisam de tal idolatria. Idolatria essa, que Rogerio Ceni tem porque supostamente ganhou tudo pelo seu club. Ele parou Gerrard e o Liverpool, ele foi tri campeão brasileiro, jogou centenas de vezes por seu club. "Outros tem goleiro, mas nós temos Rogerio Ceni", gosta de dizer o são paulino.
Daqui da terra, essa frase causa efeito e pode despertar inveja aos outros, mas do alto do monte Olimpo, essa sentença é comica.
Vamos aos fatos mitológicos:
Campeonato Mundial de 1952 e então o tricolor se via diante daquele fantasma enorme, aquele bicho papão, aquela quimera que era o Peñarol: Maspoli, Schiaffino, Ghiggia, Obdulio Varela e cia, tinham ganho a Copa pro Uruguai dois anos antes, todos com papeis fundamentais. Mas o Fluminense em seu cinquentenario, carimbou três gols no maior clube do mundo da época e o Deus da baliza não sofreu nenhum. Castilho parou os "queridos" responsáveis pelo "maracanazo" e garantiu a arrancada tricolor ao topo do mundo.
A saga continua, o tempo passou e o futebol desafiou o Deus das traves, com mais... Com muito mais. Dessa vez o rei e um tal de mané, já tinham a garantia de todos, que decidiriam quem venceria o Rio-São Paulo de 1960. Torneio que era disparado o mais importante da época. Todos tinham craques, grandes jogadores, mas do alto do Olimpo o Deus das balizas resolveu interceder. Seja rei ou mané, aqui não passa nada. Assim foi feito como em 1957, no mesmo torneio. Fluminense campeão invicto! Não tinha Santos de Pelé, nem Botafogo de mané! Copas do Mundo? Ganhou duas! Foi reserva em ambas? Quase isso... Apenas do alto da sua magnitude, escolheu um mortal para agraciar.
Vejam esse trecho vindo de um escritor chamado Paulo Cezar Filho, sobre tal historia:
"Porém, quando perguntado sobre o segredo de se manter em boa forma, o titular Gilmar dizia: 'Castilho é meu reserva. Não posso respirar!'. Acredite, Castilho: por trás de cada intervenção de Gilmar, havia as suas mãos. Você é tão responsável pelo bicampeonato quanto ele."
Eu podia encerrar aqui, mas a divindade não provém dessas glórias. Parar o Pelé, o Garrincha ou o time base campeão do mundo e melhor das americas foi o menor dos feitos. Copa do Mundo? Quando se é um Deus, ter o mundo é consequencia. Castilho teve essa honra jogando com a camisa tricolor e com a amarelinha! Há historias que dizem que uns se crucificam para salvar a todos, outros fazem jejum e por aí vai, mas:
Certa vez, Castilho se lesionou pela quinta vez, no dedo mindinho da mão esquerda. Isso o faria perder algumas partidas e uma possível final. Sua lealdade e amor ao club tricolor, o fez tomar a decisão mais heróica e até mesmo drástica: Ele mandou amputar o dedo lesionado. Sim, cortar o dedo fora!
O que é um dedo, ou qualquer parte do corpo, pra quem tem o espírito de um Deus e joga numa instituição divina? Há desígnios a cumprir amigos e os Deuses sabem a hora de fazer a coisa acontecer. O dedo se foi e as glorias vieram!


Depois que eu falei de Pelé, Garrincha e de outros campeões do mundo barrados pela leiteria divina, eu não preciso voltar a falar daqueles mortais, citados no começo né? Pra que? Vou ser obrigado a me perguntar: Liverpool? Gerrard? Quem é Gerrard, é de comer?

("Suar a camisa, derramar lágrimas e dar o sangue pelo Fluminense, muitos fizeram. Sacrificar um pedaço do próprio corpo por amor ao tricolor, somente um: CASTILHO. ")

Ao lerem essa frase, você torcedor de qualquer club, me informe se algum mortal jogador do seu club já chegou, ao menos perto disso?
Não né?
Conclusão: O Fluminense não tem ídolos, tem DEUSES. Laranjeiras poderia ser chamada de "O Monte Olimpo" do esporte!

terça-feira, 30 de março de 2010

Com a palavra, Armando Nogueira

Estou aqui imaginando meus caros, tentem captar:
João Saldanha, Nelson Rodrigues e quem mais estiver. Todos na tranquilidade da eternidade com seus copos cheios, em torno de uma mesa - provavelmente barulhenta - naquela velha algazarra, que se tornam as boêmias discussões futebolisticas. Aí, não mais que de repente se ouve aquele estridente barulho peculiar dos ultraleves e então toda aquela baderna silencia-se.
Uns perguntam: "Será?" - Já outros: "Não é possivel."
Sim, ele adentra no ambiente. Se ouve a rouca voz de Nelson: "Até que enfim... O que você fez para ficar lá, mais que a gente? Amigos, o homem gostou mesmo de viver o suficiente para estar entre aqueles debeis mentais." - João: "Mas você hein? Deixa ele chegar..."
É meus caros, hoje teremos muita conversa de botequim, muita coisa pra ser contada e posta em dia, lá na morada eterna, dos eternos.

Pessoalmente, me recordo do Armando Nogueira somente no Sportv, quando ele fazia aparições em programas e as vezes entrevistando grandes nomes do esporte, isso por volta de 1998 - 2001.
Fui começar a ler o Armando, mais recentemente. A sensação que suas palavras me passaram foram incriveis. Eu lia e sabia estar diante de uma pedra preciosa.
Eu pensava:
"Estou diante do elo perdido. Ele tem a paixão do Nelson e do João, com as mesmas nuances literarias riquissimas. Com um porém: A visão limpa, clara e cristalina. Coração aberto e mente pura. Como ele conseguiu tamanha neutralidade?"
Eu digo uma coisa para o criador - caso o mesmo leia - Você achou alguem perfeito para te acessorar. Ele está aí agora, aproveite!

Hoje o espaço não será meu - como prometido antes - será de alguem anos luz a frente.

Brindo a todos, com três crônicas deste grande escritor - que também creio ter sido um grande homem - o qual deixará saudades a todos os jornalistas, estudantes e amantes de um bom texto:



Viver ou viver!

Não, o Fluminense não pode morrer.
Pelo belo gol de Ademir, no supercampeonato de 46; pelos milagres que obrava Carlos Castilho, o goleiro prodigioso; pela prosa de Coelho Neto; pela paixão homérica de Nelson Rodrigues; pelos vitrais da sede imperial nas Laranjeiras; pela Taça Olímpica; pela gota de lágrima que pressenti, ontem, no rosto vincado de um amigo; pela dinastia Gallotti; pelo sorriso fidalgo de Haroldo Barbosa; pelo humor de Sérgio Porto, o Stanislau Ponte Preta; pelas irreverências de Ronaldo Bôscoli; pelo marinheiro sueco, o Hans, que canta o Fluminense em tantos idiomas; pelo clã dos Carneiro de Mendonça; pelos passes indeléveis de Romeu Pelliciari; pela consagração de Telê Santana, nos campos tricolores; pelo amor de Hugo Carvana; pelos poemas, todos!, de Chico Buarque; pelo time de botões de Carlos Heitor Cony; pelo Braguinha, que leva o clube nas próprias entranhas pelo mundo afora; pelas braçadas olímpicas de João Havelange na piscina tricolor; pela bola iluminada de Batatais, Santamaria, de Romeu, de Tim, de Pedro Amorim, Orlando Pingo de Ouro, de Carreiro e Afonsinho; pelo Gravatinha; pelas nuvens de pó-de-arroz que perfumam as tardes do Maracanã; pelo bairro das Laranjeiras, cujas ruas, todas elas!, desembocam na lendária Álvaro Chaves; pelo estadinho, imortalizado, ao nascer, com o gol de Friendereich dando ao Brasil o Sul-americano de 19; pelo lirismo de Oduvaldo Cozzi que narrava, como ninguém, um gol do seu Fluminense; por Luiz Murgel, que amou o clube com todas as letras; por Benício Ferreira Filho, sepultado com a bandeira do clube no peito; por Francisco Horta que entoou, pela primeira vez, o grito de guerra "Vencer ou Vencer!"
Por Gerson e Rivelino que, até hoje, querem tão bem ao Fluminense; pelo Flamengo que nasceu de uma costela tricolor; pelo Botafogo, velho co-irmão de rancores e de amores remotos; pelo mais enxuto verso do futebol: Fla-Flu, doce aliteração carioca; pela bandeira tricolor: o branco, símbolo da alma pura, o vermelho, a cor dos nobres e o verde, a luz da criação do mundo!
E porque o Fluminense não pode morrer, sua divisa, agora, é Viver ou Viver!

(Armando Nogueira quando o Flu estreou na segunda divisao)

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A voz que lateja

O Fluminense cai pra Terceira Divisão. Dito assim, em breve oração, soa como um fiapo de conversa. Papo de segunda-feira chuvosa. Pra chatear tricolor, os irônicos dizem que, felizmente, não existe a Quarta Divisão.
Mal se dão conta de que o desterro de um grande clube não é um martírio solitário. Por tabela, atinge todo mundo. O Flamengo nunca seria o mesmo se não tivesse a fustigá-lo o tenaz fervor do Fluminense. Os dois criaram, juntos, um dos maiores mitos do futebol brasileiro que é o Fla-Flu. Nelson Rodrigues dizia que há um parentesco óbvio entre o Fla e o Flu. Seriam os irmãos Karamazov do futebol. Amor e ódio.
Eu, por mim, vivi uma juventude atormentada pelo "frisson" dos jogos entre Botafogo e Fluminense. Era o chamado "clássico vovô". A manchete dos jornais exaltava cada batalha entre os dois mais antigos rivais do futebol carioca. O Fluminense era um pesadelo na vida dos outros times. Tinha mais títulos. Tinha mais nobreza. Os outros tinham escudo. O Fluminense tinha brasão.
Por favor, não queiram ver no flagelo do Fluminense apenas um time de futebol agonizando às portas do inferno. Estamos vendo consumir-se nas chamas de um longo martírio muito mais que uma simples equipe. São centenas de troféus. São vitrais de três cores mágicas a filtrar a luz de tantas glórias. O Fluminense é um hino. É um sonho de menino.
Mário Lago diz que há muito tempo o Fluminense saiu de suas cogitações existenciais. Do alto de seus oitenta anos, tem todo o direito de ignorar o presente do clube. O tempo passado enche de glórias seu bravo coração tricolor. O Carlinhos é que não tem. O Carlinhos, um garoto de 14 anos, ainda tem muito que palpitar, coração na mão, por seu clube tantas vezes campeão. O Fluminense precisa de seu amor. Mesmo que, agora, Carlinhos não tenha coragem de aparecer no colégio vestido com a camisa do Fluminense.
Bem que ele podia mudar de colégio. Chegaria lá, cara nova, metido no uniforme do Vasco da Gama, que é o time da moda no Rio. Carlinhos seria até festejado.
Mário Filho dizia que é mais fácil mudar de mulher que mudar de clube.
Pois é esse o caso do Carlinhos. Ele não tem duas caras. Nasceu Fluminense e Fluminense há de morrer.
Pois é pensando no Carlinhos que escrevo sobre o drama do clube tricolor.
Se o Fluminense acabasse, de vez, o mundo ficaria sem graça pro Carlinhos.
Ele não pode, nem quer virar Flamengo, nem Botafogo, nem Vasco. O sentimento clubístico é mais forte que o sentimento patriótico. A criança descobre o clube do coração antes de descobrir a própria pátria. Carlinhos aprendeu a cantar o hino do Fluminense muito antes de aprender a cantar o Hino Nacional. Antes de ouvir falar em Brasil, Carlinhos já ouvia o pai repetir, dia e noite, debruçado no berço: Flu-mi-nen-se! Essa é a voz que lateja nas entranhas de Carlinhos.
O Fluminense é hoje uma paixão golpeada no coração de Carlinhos.

(Armando Nogueira, após uma nova queda do Fluminense)


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Armando Nogueira
Quarta-feira, 24 de Julho de 2002

"O Fluminense retira Telê da vida reclusa e presta-lhe uma bela homenagem, no rol de celebrações do centenário. Na era do profissionalismo, poucos encarnam tão bem a glória do clube como Telê Santana. Que o digam os que o viram, um fiapo de gente, a ensopar a camisa de talento e suor, no começo dos anos cinqüenta. Eu vi, cansei de ver Telê criar, ao lado de Didi, momentos que, depois, Nelson Rodrigues recriava na sua prosa poética de consagração tricolor. Aliás, foi outro ilustre tricolor, Mário Filho, quem primeiro chamou Telê de "Fio de Esperança". Nada mais feliz. Telê era em cada jogo a renovada promessa de um novo gol, de um novo triunfo, de um novo título. Como o de campeão carioca de 1951. Solidário, Telê subia e descia o lado direito do campo, defendendo e atacando, guerreiro incansável. Era, em 51, a prefiguração do que viria a ser o também infatigável Zagallo, no mundial de 58.
A imortalidade do Fluminense está nos seus nobres troféus, nos seus castos vitrais, nas nuvens de pó-de-arroz perfumadas, na bandeira de três cores, no hino (o mais bonito de quantos Lamartine Babo compôs pros clubes do Rio); na aristocracia de Marcos Carneiro de Mendonça; na saudade de Romeu e Carreiro; na recordação de Orlando Pingo de Ouro e Pedro Amorim. Mais que tudo, o Fluminense do meu tempo está nos gols incomparáveis de Ademir Menezes, um portento de artilheiro que não dava por menos: no supercampeonato de 46, cada gol dele tinha ressonâncias de verdadeira ópera. Ao lado de Ademir, na mesma dimensão histórica, figura o goleiro Castilho. Sem ser santo, o moço fazia milagres em baixo das traves. Enfim, são tantas e tamanhas as fulgurações pessoais na vida do Fluminense que seria impossível enumerá-las sem cometer imperdoáveis omissões.
O Fluminense de minha memória afetiva é, sobretudo, Nelson Rodrigues, autor dos cânticos mais poéticos, mais ardentes que alguém já dedicou a um clube de futebol. Em Nelson, com quem briguei e desbriguei algumas vezes, aprendi que o Fluminense veio ao mundo com a vocação da eternidade.
Preciosa lição que trago comigo, pela vida afora, no melhor do meu coração".

terça-feira, 16 de março de 2010

O primeiro carro a gente nunca esquece...

Eu confesso, eu nunca fui muito apegado a nada, principalmente a coisas materiais. Eu sempre fui descolado, sempre soube ter e não ter as coisas e as pessoas. Sempre achei idiotice aqueles que tratavam objetos, com algum sentimentalismo ou algo do genero. Normalmente, vejo muitas pessoas fazerem isso com seus carros, como se eles tivessem vida. Amigos, os carros não tem vida, mas agem como se tivessem. Eles parecem sim ter. Posso até dizer, que um carro pode ser o melhor amigo do homem.
Esse sentimento diferente em relação aos carros (principalmente com o meu), apareceu depois que eu soube que meu pai vai me agraciar com um novo veiculo. Nada contra, obvio que um dia eu teria que trocar de carro, pois nada é para sempre, ainda mais nessas ruas esburacadas de nossas cidades, no meu caso São Luis.
Acontece meus caros, que dessa ultima vez, a qual estava eu dentro do meu carrinho, eu comecei a pensar e a falar sozinho, coisas do tipo: "É meu caro, foi um prazer e obrigado por tudo." Como se o carro fosse uma pessoa que tivesse me prestado um serviço e que estava se despedindo de mim.
Ah, com certeza posso dizer que não há nada mais cumplice na vida de um homem que um carro. Ele viu tudo, ele sabe de todas, ele que me levou para conhecer os lugares, que eu nem imaginava que existiam, ele esteve comigo nas horas boas e nas ruins, fora que pessoalmente, o meu VW Gol, de cor preta e do ano de 2005/2006, nunca me deixou na mão... Quero dizer, no prego! Meu pai foi quem me presenteou, com ele. Nunca me esqueci do velho homem chegando com uma lista de carros, que seriam leiloados e então me pediu para escolher um entre mais de 100 opções. Eu sinceramente, não escolhi bulhufas, pois não entendia e não entendo nada de carros. Eu não me importava, falei pra ele trazer qualquer um, pois eu estava aceitando até jegue de motor. Então ele me vem com esse Golzinho, minto...Esse Golzão, sem ar, sem direção e somente com duas portas. Desde então muitas pessoas e situações se passaram na minha vida e digo, que quase 80% são devido a esse carro.

Sério, passa um flash na sua cabeça. Você começa a lembrar de historias e depois percebe que a historia do carro se confunde com a sua. Ele, o carro, viu o começo, o meio e o fim do seu namoro. Ele viu todas as moçoilas, as quais você deu carona e depois fez rolar, ou não. Ele guiou e foi o porto seguro de amigos seus, que vezes estavam bebados, vezes estavam apenas precisando de um ombro amigo ou até mesmo somente de uma carona.
Nas noites boas e nas ruins, nas noites em que você voltou acompanhado ou nas noites solitarias da praia do Araçagy. Ele sabe e tem a noção exata de quantas passaram pelos seus bancos. Ele também sabe de quantas poderiam passar, mas não passaram, pois não deram abertura ao seu dono, o fazendo voltar sozinho pra casa.
Ele era um espião na casa do amor, pois ele sabia os segredos e os desejos. Ele era a casa do amor, pra falar a verdade. Quantos bairros ele visitou comigo, para deixar amigos e amigas.
Meu carro, até minhas notas academicas ele sabe, até porque foi ele o reduto de provas e provas, que em seu banco traseiro, ficaram esquecidas. Ele sabia do meu gosto musical e quando um ritmo ou uma banda se adequava ao momento. Certos momentos era a vez do Jazz, outras do samba de raíz e muitas outras do bom e velho Rock n Roll! O clima desejado é que ditava.
Ele esteve comigo comemorando vitorias e chorando derrotas do Fluminense. Quem não se lembra dele no meio da carreata, com sua buzina alegre e barulhenta como a de Abelardo Barbosa, depois que o tricolor foi campeão da Copa do Brasil de 2007? Assim como ele também já me guiou em noites melancolicas, onde o céu estava cinza, me dando teto, com a fidelidade canina, que os carros também possuem. Dizem que o cão é o espelho do dono, com o seu carro não é diferente, pois até mesmo no curta metragem, que eu atuei, ele também fez uma ponta, como o carro do protagonista. Fora as discussões com flanelinhas metidos a sabichões! As saídas do shopping, sem pagar!
Eu admito, eu não cuidei dele do jeito que ele cuidou de mim.
Eu entendo agora porque alguns se apegam a seus carangos. Eles são um livro mais que aberto, eles são historiadores, eles guardam o momento. Nas loucuras, nas alegrias ou até mesmo nos pudores e nas tristezas, eles estão lá para nos levar para casa, sabendo que amanha é um novo dia e que tudo há de ser melhor. E no fim, a maquina sempre estará pronta, para me acompanhar e saber das minucias da minha vida.É, talvez no futuro eu até tenha carros melhores e que atraiam mais mulheres e chame mais atenção de colecionadores ou quem for que goste de automotivos, mas o fato é que no quesito historias esse meu primeiro carro, o Gol preto, não fica atrás de nenhum outro. É amigos, eu aprendi, a me acostumar, a sentir saudade das pessoas, já que todos os amigos que tenho em vida, dificilmente poderei uni-los em um só lugar, por eles viverem em lugares diferentes e longe uns dos outros. Mas to vendo agora que um carro pode te deixar mal, por simplesmente ter estado com você em momentos, maravilhosos ou até mesmo momentos dificeis. Claro, no fundo eu sei que é só uma caixa de metal, aparelhada com rodas e um motor, mas isso mostra, que as vezes um mero objeto inanimado, pode te dar muito alento. E pensar que há seres humanos, que não nos dão tanta segurança e alento, como um mero carro. Ora chamado de "ameixa" por ser muito amassado, ora chamado de "Motel Hell", por causa de brincadeiras. Na verdade o que menos importa é o nome. O mais importante é lembrar que você ganhou muita kilometragem na vida, por guiar aqueles volantes, rumo sabe-se lá para onde!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Penta ou Hexa? Escolha você mesmo.

"Ser Fluminense é ter os olhos limpos, sem despeito, e claro como a esperança." Resolvi postar o meu ponto de vista, sobre essa confusão que assombra o futebol brasileiro, desde 1987. O Flamengo é penta ou hexa, após vencer o titulo de 2009?
Esse trecho do poema de Artur da Távola, reflete a minha proposta e os meus argumentos diante dessa polemica.
Amigos, dizem que há alguns modos de você avaliar o esporte, seja ele o futebol ou não. Você pode se restringir meramente a dados oficiais, que um pequeno grupo legitima (FIFA, CBF, CONMEBOL) ou você pode avaliar tudo com o bom senso, olhando para os lírios e não para as leis.
Vamos por partes.
Eu vou começar falando do grupo que defendo, o grupo do bom senso.
Eu gosto de avaliar um titulo, baseado no contexto da época e na qualidade dos clubes, que no campeonato estão. Não basta apenas ter nome ou mídia.
Na minha opnião, o Flamengo é hexa campeão brasileiro, porque eu emancipei a Copa União de 1987, a nivel de campeonato brasileiro (Nacional). Os melhores clubes da nação lá estavam e jogavam. A população acompanhou toda a saga rubro-negra rumo ao topo e foi esse campeonato, que teve o nivel que condizia com as tradições do futebol brasileiro. Em resumo, essa foi a competição mais importante da nação, no ano de 1987 e logo eu com o meu bom senso, emancipo a Copa União, a nivel de Campeonato Brasileiro.





















Mas e o Sport Club do Recife? Sim, esse também foi campeão de 1987. Também pode gozar do titulo brasileiro de 1987, pois venceu no regulamento. Como disse em um texto anterior aqui no blog, regulamento também faz parte do futebol. Regulamento também decide campeonatos. Regulamento dá ou tira a vitoria de um time, mesmo sem esse ter perdido no campo. A taça está merecidamente na Ilha do Retiro.
Por mais estranho e questionavel, que esse regulamento de 1987 fosse, foi assim que ficou decidido. Pode ter sido uma decisão arbitraria é verdade, de um dirigente que é velho conhecido de todos, mas serviu de lição aos outros cartolas de como é importante você ter cuidado com as pessoas que te representam. Ainda mais quando apenas uma pessoa representou a todos.
Voltando ao assunto, de existirem dois campeões em 1987, é assim que vejo o campeonato daquele ano. Não é uma questão de querer agradar a gregos e troianos ou ficar em cima do muro, mas vejam que a historia do futebol brasileiro permite esse tipo de raciocinio. Temos varios torneios Rio-São Paulo, que são divididos, na decada de 60, com mais de um campeão. Inclusive existe um que foi dividido entre 4 campeões. Não que eu ache isso legal, mas o regulamento deu brechas para isso e foi isso que aconteceu. Temos essa mancha no futebol nacional e teremos essa polemica para sempre. Mas para mim, o pensamento até agora é esse.
Outra coisa que quero frizar é que se os flamenguistas ou qualquer outro torcedor afirma que o clube da gávea é hexa, é poque eles ignoram o que é oficial e adotam o bom senso. E é aí que entra outro ponto: Se o Fla é hexa, o Palmeiras é octa, o Santos idem, o Fluminense Bi campeão e outros clubes podem emancipar seus titulos nacionais conquistados antes de 1971 para o nivel de brasileiro, pois eram os campeonatos mais importantes da nação, na época. Assim como emancipamos a Copa União, por ser a competição mais importante de 1987, no calendario do futebol brasileiro.


Caso você prefira não adentrar a historia do futebol e deixar os criterios para os poucos homens da Fifa, que pouco se importam com o futebol brasileiro e com a historia dos clubes em geral, então convenhamos que o Flamengo agora é penta, que só dois clubes do Brasil ganharam o mundial interclubes (São Paulo e Inter, cada um com um titulo) e que a historia tem que ser apagada e recomeçada a cada decada.
E então, o que vocês escolhem, filosofos e amantes do esporte bretão? Querem preservar a historia e considerarem o grande titulo do Bahia, contra o Santos de Pelé e torna-lo um grande titulo nacional ou preferem deixar que as entidades, compostas de homens entendidos e sabichões reconheçam apenas o que lhes convir?
Percebam que esse pessoal só tem olhos para o futebol europeu.
Pergunta: Porque o melhor jogador do mundo, tem que sair sempre de um clube europeu? Tudo bem, todos sabemos que os melhores jogadores jogam lá. Mas tiveram casos na historia, que jogadores aqui da America do Sul, jogaram absurdamente bem em uma temporada e nem ao menos foram lembrados. Cito agora dois exemplos, de jogadores que deveriam ser lembrados e poderiam ter grandes chances de ganhar o trofeu de melhor jogador do mundo , mas que nem ao menos foram relacionados, porque jogavam aqui na America do Sul.
São eles: Edmundo em 1997 e Carlos Tevez em 2003. Ambos só não fizeram chover nessas temporadas, mas ganharam praticamente tudo o que disputaram.
Tudo bem que o Edmundo, naquela época, teria que competir com o Ronaldo Fenomeno e pra mim o Edmundo perderia, mas ele deveria ser ao menos lembrado. Já em 2003, o Tevez pelo Boca, jogou muito mais que o portugues Figo, na epoca, jogador do Real. O Tevez ganhou tudo mesmo que pôde pelo time de La Bombonera, enquanto o Figo, apenas tinha a mídia de ser jogador do Real.
Fazendo justiça com uma entidade: A Conmebol foi perfeita ao reconhecer o titulo do Vasco de 1948, mesmo não sendo algo organizado por ela ou uma federação, mas sim por um clube, o Colo-Colo do Chile. Vasco campeão da America de 1948. Foi um grande titulo.
Voltando ao assunto, a mensagem é que devemos valorizar o que é nosso e que a memoria de cada club, quem tem que preservar são os torcedores e não as entidades.
Flamengo hexa e campeão do mundo de 1981. Sport Recife campeão de 1987. Palmeiras octa e campeão do mundo 1951 etc.
Por fim, esteja livre para escolher o criterio, que você achar mais justo, porém aplique esse criterio igualmente para todos.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Isso sim é "Reality Show".

Meus caros, o termo "reality show" é dado para programas de TV, que mostram reações humanas, em um determinado contexto, onde não há um script ou algo que pre determine como essa pessoa deva reagir. Resumindo, a pessoa entra para participar de um programa em um formato determinado, mas não será um personagem, mas somente ela mesma.
Dizem que esses show´s mostram como o ser humano vive de fato, quem é quem quando a vitoria e a derrota bate a porta do seu cotidiano, mostra como a pessoa lida com seus problemas e quais são as soluções, que ela arquiteta para sair de uma situação ruim e tudo isso tendo que lidar com pessoas, pois na realidade (reality) é assim.
Amigos, eu confesso que não sou muito chegado nesses tipos de show, não importando em qual formato eles estejam. As vezes pode se fazer alguma analise sociologico, antropologica, psicologica etc. Mesmo assim não tenho muito interesse e não chama muito a minha atenção.
Esse texto, quero me permitir determinar um novo conceito de reality show, esse sim de fato "reality", que graças as novas tecnologias portateis podemos assistir a esses episodios da vida real. (Daniella Cicarelli, flagrada tendo relações sexuais no mar, em praia da Espanha)

Essas cameras portateis, sejam elas em celular ou fora deles, juntamente com a internet, estão cada vez mais, tornando milhares de pessoas testemunhas oculares da vida real e das nossas anomalias socias. Toda semana temos levado um choque de realidade e tudo isso graças as milhares de cameras portateis espalhadas nas mãos de todo tipo de gente, que as levam para todo tipo de lugar.
O engraçado, é que tudo flagrado e documentado, assim podemos dizer, sempre aconteceu desde os tempos do seu avô e acontecerá também nos tempos do seu neto, pois tratando-se de humanidade, tudo pode-se esperar, independente da cultura ou do nivel de instrução ou social. Em alguns lugares menos favorecidos de instrução e recursos, as bizarrices e acontecimentos chocantes podem ser mais acentuados.
Falando do nosso país, infelizmente o quadro social do Brasil hoje em dia, dá margem a existencia de policiais que flagram a assaltantes matando um homem por miseras roupas e acessorios, e mesmo assim com o flagrante do ato, não fazem o seu dever. Não satisfeito, ainda abordam os bandidos apenas para roubarem os pertences que pouco antes eles haviam roubado, para depois de tudo, deixarem os assassinos irem embora na boa, andado. Será que eles estavam baseados naquela lei do "Ladrão que rouba ladrão, tem 100 anos de perdão."?
Outro exemplo de policias despreparados, também foi flagrado em Santa Catarina.
Casos parecidos devem ter acontecido antes? Com certeza, inumeras vezes e todas as semanas, para não dizer todos os dias. Acontece que agora será comum a gente ter noticias e não satisfeito ainda ver como a noticia aconteceu de fato, pois alguem com certeza deve ter capturado as imagens.
A dissolução dessa tecnologia portatil só se deu de uns tempos para cá, por isso esse mar de coisas quando trazidos a tona, chocam a população. Esses tipos de flagras, só tendem a aumentar, como no caso dos dois jovens que praticavam sexo em um banheiro de uma escola publica, no Pará. Eu vi as imagens, que foram filmadas por um outro colega, que ainda instruia e meio que dirigia os dois parceiros.
Nada contra o sexo e sinceramente, não sou tão conservador de dizer, que o absurdo estava no ato sexual em si e nem na idade de ambos os jovens. Para mim o absurdo estava no local onde a coisa foi feita e também no terceiro integrante que estava gravando tudo. Esse tipo de coisa, deve ser mantida fora do ambiente de estudo ou perto de outros que aindam não estão preparados para tal atividade. Esse tipo de ato também deve ser guardado para si, visto que temos uma sociedade pessimamente preparada e mal instruida.
Em respeito a instituição e a seus colegas, ambos deveriam procurar um local adequado e nem ao menos terem documentado o ato.
Pergunto mais uma vez: Foi a primeira vez que aconteceu esse tipo de coisa, num ambiente escolar? Não, não foi e isso é mais comum do que se imagina. Eu que estudei em 12 escolas durante a minha vida, tanto escolas publicas como particulares, já tive acesso a relatos e historias muito piores que essas, que apenas não foram gravadas por nenhum meio.
Sobre a idade de ambos os alunos, esclareço que o meu ponto de vista é que cada um sabe a hora certa para iniciar a sua vida sexual, levando em conta que deve ser algo espontaneo e não forçado, seja por um grupo ou seja pela midia.
Isso já cabe aos pais e mestres a instruir os jovens a conhecerem melhor sua mente e seu corpo, para que não façam algo contra si e depois se arrependam.
Outro tipo de situação, que é velha, mas mesmo assim todo mundo que vê ainda se choca bastante, é a famosa briga de grupos rivais. Sejam eles da mesma escola, sejam de jovens de escolas diferentes ou até mesmo jovens que agridem somente um individuo, por se acharem melhores e com isso praticam o bullying, para se auto promovorem as custas dos outros, ditos indefesos.
Esse semana, mais uma vez um video de violencia na escola ou nas proximidades dela, praticadas por alunos, repercutiu fortemente nos meios de comunicação. Como disse, com 12 escolas de bagagem, eu já vi esse tipo de coisa até dizer chega.
E novamente eu pergunto: Foi a primeira vez? A resposta, qualquer pessoa que passou pelo menos um semestre numa escola, já sabe e já deve ter visto.
Eu sinceramente, não me choquei, não porque sou frio, mas porque casos parecidos, eu já tinha visto ou ouvido antes.
Se não me choca, posso afirmar que isso me revolta. Conformista eu me recuso a ser, mas impressionado, confesso que dificilmente serei.
Com esses novos dispositivos e tecnologias portateis, veremos aos montes meus caros, mais e mais casos absurdos de coisas boas e ruins.
Elas sempre aconteceram, a diferença é que agora temos que estar preparados para sermos testemunhas.
Quem aqui não gostou de ser testemunha de um caso, onde uma maluca desequilibrada, vai no meio da madrugada em frente a um predio, pedir aos berros e insultos a um morador chamado Pedro, o seu chip de volta.
Em 2008 a reporter da ESPN americana, Erin Andrews foi flagrada e teve sua liberdade e integridade comprometida, depois que um tarado a seguiu e a filmou nua em seu quarto de hotel, no Tenesse. O rapaz que fez as imagens foi condenado e preso, semanas atrás.
Talvez, isso seja bom, para mostras as pessoas a realidade, seja ela bruta ou bizarra, comica ou tragica. O que de fato acontece na vida e nas ruas, muitas vezes da amargura. A hipocrisia pode acabar e as pessoas começarem a olhar situações reais e com isso buscarem soluções reais, inves de ficarem ligando pra votar nos artistas de midia, criados pelos reality shows, com seus pseudos problemas.
Nesse novo BBB tome cuidado a cada dia, pois no paredão o proximo pode ser você.



NOTA: No intervalo de um dia, em que eu escrevi esse texto, as nossas cameras espalhadas Brasil a fora, flagraram mais um comportamento ignorante por parte da nossa sociedade. Foi em uma universidade particular de São Paulo, onde uma aluna foi hostilizada por ter ido com um traje, supostamente, muito descolado. Vejam que ela sentiu na pele, o que é ser um criminoso sofrendo sanções sociais pelo seu "crime"!
Video:

domingo, 11 de outubro de 2009

Argentina é a favorita

"Argentina é a favorita", foi o titulo que eu dei a esse texto, antes mesmo de escreve-lo.
Amigos, eu tenho certeza que os nossos vizinhos que tanto amamos odiar, vão a Copa do Mundo da Africa do Sul no proximo ano. Não satisfeito, vos digo que eles são favoritos em primeira escala, juntamente com Brasil, Alemanha e Italia. Talvez são mais favoritos a ganhar o caneco, que será disputado na terra do Mandela, que qualquer outra seleção. Explicarei.
Historicamente, seleções desacreditadas quando chegam a Copa tendo passado por muita dificuldade, essas seleções chegam com pouca mídia, poucas expectativas e passam desarpecebidas na fase de grupos, até porque na primeira fase a competição ainda está recheada de seleções fracas e sem expressão alguma e então fica facil de se classificar para a segunda fase, sem precisar de muitos méritos. Algumas vezes temos seleções que chegaram com cartaz e nem ao menos passaram da primeira fase, como a França e a propria Argentina em 2002.
Mas a Copa do Mundo começa a ficar boa mesmo, quando chega o mata-mata. Lá você descobre quem é quem no cenario mundial do esporte. Essas seleções que antes penaram para conseguir uma vaguinha na Copa, agora estão mais fortes do que nunca e quando você se dá conta, elas estão nas fases avançadas, com uma confiança e autoestima enorme, nem parecendo ser aquela seleção que passava por enormes dificuldades, contra equipes medianas do seu continente.
A historia nos mostra, que não é lá muito vantajoso chegar com um estatus elevado. Vamos aos fatos:
O Brasil em 1958, chegou a sua sexta Copa como mais uma seleção que poderia fazer boa figuração, pois nas eliminatorias onde apenas jogara dois jogos eliminatorios contra o Peru, o Brasil empatou o primeiro jogo em terra peruana por 1x1 e depois decidiu a vaga em casa, no Maracanã. A vaga veio, apertada, mas veio com um 1x0 suado e que não chegava perto de empolgar ninguem. O então tecnico Vicente Feola era pressionado e sofria uma enorme desconfiança vinda de todos os lados, tanto da imprenssa como da população. Eram tempos em que a desconfiança era muito acentuada, devido a perda da Copa de 1950 em casa, pro Uruguai e a regular, mas nada brilhante campanha na Copa de 1954, onde tinhamos perdido a semi-final pra Hungria e definitivamente andavamos de mãos dadas com o complexo de vira-lata. Complexo esse diagnosticado por Nelson Rodrigues, o qual dizia que o brasileiro tremia diante de rivais internacionais, por se sentir inferior e menos capaz.
Para alegria geral da nação, o titulo mundial veio. Titulo esse que começou a se desenhar após o jogo contra União Sovietica, que foi vencido por 2x0 e alí, pela primeira vez, jogariam juntos Pelé e Garrincha pela nossa seleção.
Citarei outros dois mundiais nossos, que chegamos como coadjuvantes e saímos como campeões. Começarei por 1994, onde o Brasil chegava a Copa dos Estados Unidos, com Romario e mais 10, após garantir a classificação a Copa no ultimo jogo das eliminatorias, no historico 2x0 contra o Uruguai, conhecido como o jogo do Romario. Logo no primeiro jogo contra a Russia, o Brasil perderia sua dupla de zaga titular: Ricardo Rocha e Ricardo Gomes. A primeira fase foi tranquila, dando destaque ao jogo Brasil x Suecia, o qual os nórdicos dificultaram bastante as coisas, fora isso, nenhum susto. Já na segunda fase, a seleção avançava aos trancos e barrancos, tendo logo de cara nas oitavas, os anfitriões da Copa no seu dia da independecia. Vocês sabem como os americanos são ligados a datas e a simbolismos. Eles entraram com a faca nos dentes, chegaram até certo momento do jogo a nos encurralar, pois estavam com um jogador a mais, devido a expulsão de Leornardo, que tinha dado uma cotovelado em seu marcador, Ramos.Passamos com o placar minimo, num gol de Bebeto, que rendeu uma declaração de amor ao seu companheiro de ataque baixinho.
Até a final contra a Italia, passariamos por Holanda e Suecia, ganhando ambos os jogos pela diferença de um gol apenas, com um futebol que fazia Galvão Bueno gritar: "Haja Coração!"
No final, ganhamos a Copa nos penalties, com Baggio isolando a bola sobre o gol de Taffarel.
A outra Copa a qual ganhamos, após passar grandes apuros nas eliminatorias, foi a Copa de 2002 na Coreia do Sul e Japão.
Felipão teve que ouvir poucas e boas, antes daquela taça ser levantada, por conta de não ter levado Romario. Deveriamos confiar em Ronaldo de novo? Felipão seguiu sua cabeça e o Brasil ganhou a Copa com sobras. Destaque para o jogo das quartas, contra a Inglaterra de Beckham e cia, que nos deu muito trabalho e que rendeu um gol historico de Ronaldinho Gaucho. Fora isso, o resto foi baba, exceto pelas eliminatorias!
Em 1982 foi a vez da Italia provar que Copa é Copa e Eliminatoria é Eliminatoria. A Azurra chegava a Copa se classificando atrás da Iugoslavia em sua chave e sua liga nacional, chamada de Calcio, vivia sua maior crise da historia, devido a compra de jogos e a corrupção de dirigentes, arbitros e jogadores. Um desses jogadores envolvidos no tal escandalo de manipualção de resultados era o algoz Paolo Rossi, que mesmo sem jogar a mais de meses, devido a uma suspensão, foi convocado e integrado ao plantel italiano.
A historia, muitos já ouviram ou se lembram, a Italia ganhou muita força e moral após vencer o inesquecivel e maravilhoso Brasil de Telê e cia, por 3x2 com 3 gols de Rossi e então deslanchou rumo ao titulo, após 48 anos de jejum.
Em 2006 a Squadra Azurra, também chegara a Alemanha para disputar a Copa, depois de outro escandalo de arbitragem e manipualção de resultado em sua liga nacional, que inclusive resultaram como punições o rebaixamento da Juventus e perdas de pontos ao Milan e outros clubes e cartolas italianos. A azurra começou discreta na Copa, vencendo a estreante Ghana e só empatando com os Estados Unidos. Após se classificar, pegou a Australia e passou com um gol feito nos acrescimos somente.As quartas de final foram mais tranquilas e uma vitoria de 3x0 contra a Ucrania veio. Nas semi-finais a Alemanha foi batida por 2x0 num jogo emocionante e a final contra a França, após um 1x1 e uma cabeçada de Zidane no zagueiro Materazzi a taça veio nos penalties, coisa que os italianos costumam temer, pois nunca haviam ganhado uma disputa de penalties antes em Copas do Mundo.
A Alemanha também é outra que ganhou Copas crescendo somente durante a competição, como em 1954 e 1990. Em 1954 superou nada mais nada menos, que a Hungria de Pusckás que estava invicta há 4 anos, antes da tal final.
Em 1990, chegou a Copa após ficar em segundo lugar nas eliminatorias, atras da Holanda em sua chave.
Pois é meus caros, acredito que a Argentina confirme a sua vaga nessas proximas semanas e volto a dizer: Argentina é a favorita!
Não caiam nessas ilusões que as eliminatorias proporcionam. A Copa do Mundo, vive e adora surpresas. A Copa parece querer trabalhar com voltas por cima, basta lembrar de Ronaldo Fenomeno. Cuidado e não fique surpreso se em 2010 tudo acabar em tango! Maradona e cia estão mais fortes do que nunca.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Introdução não necessária.



O maior dom que o ser humano pode ter com certeza é o da comunicação. O de poder saber exatamente expressar o que deseja, caso queira realmente se expressar. Por isso meus caros, conversem, falem e perguntem a quem vocês quiserem, sobre o que vocês quiserem. Por conta dessa desvairada busca por outros humanos comunicativos e com coisas que somam ao meu gosto, venho sendo apresentado a varios materias sensacionais, os quais eu desconhecia e que enfim posso ter o prazer de desfrutar.
Esse dias, tive acesso a um conteudo lindo, daqueles que você fala: "Historico, vamos ver o inicio de tudo. E foi assim que começou uma brilhante trajetoria"! Sim, eu sabia estar diante de um feto, daqueles que o autor, hoje, já um mito dessa arte, ao relembrar tal obra, com certeza teria o seu dia inteiro sugado pela nostalgia e emoções vividas, que seriam trazidas como uma avalanche a sua memoria.
Sem mais delongas, matando a curiosidade de todos, o material o qual tive acesso foi simplesmente um album que John Paul Jones e Jimmy Page gravaram antes do LED. Não! Minto! O tal album foi gravado em 1968, antes mesmo de serem formados os The New YardBirds, nome esse que antecedeu o lendario Led Zeppelin.
Jimmy Page realmente chuta o balde. O cara sabe dar a suavidade, que a musica precisa, pois o som dessa banda é mais descolado e leve, mas tudo isso sem perder a pegada.
Talvez ele até se indentifique mais com esse som mais leve, com toques de blues e pop, que o som mais pesado do Led. Não estou afirmando nada sobre a preferencia dele, mas ele parece ficar bem a vontade e livre, passeando (solando) pela musica, enquanto o baixo e o piano encorpam e dão base as canções. Não satisfeito ele também assume um papel de guitarrista base certos momentos, dando então liberdade para que o Sax, faça as honras e sole, como em "Lonely Weekend". Mas sua versatilidade não acaba somente aí. Em "Everything I do is wrong", Jimmy Page, em grande parte da canção fez a base, mas então não se conteve e solou juntamente com o Sax.
Paro por aqui as analises e repasso o brinde a vocês, para que vocês mesmo possam desfrutar dessa maravilha.
Agradeço a indicação da minha dignissima desbravadora das 7 artes, Fernanda Benevides.
Também devo fazer menção ao blog venenosdorock, que disponibilizou o tal material online e disponibiliza varias outras raridades.

Vamos ao album:



(Clique para ver a figura no tamanho original)


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